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Marilia Librandi Rocha

Como é bom encontrar textos que a gente descartou um dia, e agora parecem mais atuais do que antes. Reproduzo abaixo apresentação que eu escrevera sobre Maranhão-Manhattan.

Esse livro reúne ensaios escritos em diferentes momentos. O fio que os atravessa é a idéia de um pensamento na ficção, uma filosofia intrínseca ao ato de ficcionalizar, criando objetos que inventam para nós outras possibilidades de vida, outros territórios existenciais.

O ensaio de abertura, “Maranhão-Manhattan. Uma ponte entre nós”, foi apresentado como palestra na Universidade de Stanford em 2008, e concentra uma proposta para o futuro: a de pensar uma antropologia da ficção a partir de conceitos ameríndios. O texto compara Sousândrade, o poeta maranhense, ao granadino Federico Garcia Lorca, ambos com uma importante vivência em Manhattan da qual resultou o canto X, o Inferno de Wall Street, e o livro a Poeta en Nueva York. O sacrifício do personagem Guesa é posto em paralelo ao assassinato de Lorca. A morte de poetas anuncia o segundo tópico do ensaio: o pensamento ameríndio tal como traduzido e abduzido pelo agenciamento de Eduardo Viveiros de Castro e seus operadores perpectivismo e multinaturalismo. A floresta Amazônica emerge assim como lugar de preservação de um sistema que pensa em conjunto poetas e paisagem, ao invés do paredão (Wall Street) do mercado financeiro que executa de vez o valor da poesia e seus poetas. Espera-se assim colaborar para preservar a mata também do eco-sistema literário com sua fauna e flora e horizontes.

O ensaio “Derivas a partir de Gumbrecht, Lyotard e Murilo Mendes” foi publicado em inglês com tradução de Paulo Henriques Britto no livro Producing Presences. Branching out from Gumbrecht´s Work, editado por João Cezar de Castro Rocha e Victor Mendes (Univ. de Massachusetts Dartmouth, 2007). Nele, os conceitos “produção de presença” e “figural” são postos em relação ao poema “Algo”, de Murilo Mendes, de modo a descrever a experiência estética como algo que escapa aos campos hermenêutico, apresentando-se como epifania ou ascese.

Os dois ensaios subseqüentes dedicam-se a analisar contos de João Guimarães Rosa realçando-o como grande pensador e defensor da ficção e sua força, comparável a Borges em âmbito latino-americano. Seu sertão, tão carregado de figuras, esvazia as definições, e põe do avesso conceitos, antecipando, por exemplo, o que diz Derrida em um de seus ensaios mais importantes: o ponto no teatro, centro da metafisica ocidental é posto abaixo por Artaud e, também, como mostramos, por Rosa, em “Pirlimpsiquice”: “aquilo foi de Oh”. Com a diferença de que, aquilo que Artaud (e Derrida) produzem com acento trágico, Rosa produzirá neste conto com amor/humor.

O ensaio "As tramas do desejo"  apresenta o conto “Desenredo” como um descendente ilegítimo de O Elogio de Helena, do (mal) dito pré-socrático Górgias: uma defesa da movência dos discursos e das donas. Filósofo do ficcional, a obra de Rosa produz-se como theatrum mundi e erotikos logos.

A segunda parte, Entre livros, inclui artigos a respeito de livros de Luiz Costa Lima, João Adolfo Hansen, Haroldo e Augusto de Campos.