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Eliane Brum : Escutadora

Marilia Librandi Rocha

Eliane Brum: Escutadora: ser habitada pelo outro

"O que assegura que vou ser habitada pelo outro, o que é sempre uma busca e jamais por completo, é a escuta que se faz com todos os sentidos. Eu me apresento como uma escutadora, acho que é o que melhor me define como repórter. É uma escuta do dito, do não dito, do silêncio, da hesitação, dos quadros na parede, dos móveis, das texturas, das cores, dos sons, que não são palavras. É uma escuta ampla. Interfiro muito pouco nas minhas entrevistas, gravo e vou anotando tudo o que vai acontecendo no ambiente, de modo que eu consiga reconstituir aquilo que vivi e que escutei. Não conheço instrumento melhor para alcançar o outro ou para chegar o mais perto possível do que a escuta."

http://elianebrum.com/programas-e-resenhas/escuta-sensivel/

Marilia Librandi Rocha

Bruna Beber. "Só hoje começo a entender a dimensão da oralidade na minha vida e na minha escrita e, como o popular é vastíssimo, nunca vou saber catalogá-lo, nem saber como circular por ele com todo cuidado e atenção. Então me dobro. Minhas avós e o Mario de Andrade me ensinaram isso. Sem ouvido não há boca. Sem boca não há ouvido. Gosto dessa via de mão dupla, mas sou uma pessoa predominantemente da escuta, uma aprendiz."

http://brunabeber.com.br/portfolio/ladainha/

Marilia Librandi Rocha

Texto de Oiara Bonilla. "Desgosto"

Por uma ética da escuta (urgente): 

"E não ouviu os chamados e nem os gritos. Nem ele, nem ninguém ouviu nada."

http://www.revistadr.com.br/posts/desgosto

Marilia Librandi Rocha

Como é bom encontrar textos que a gente descartou um dia, e agora parecem mais atuais do que antes. Reproduzo abaixo apresentação que eu escrevera sobre Maranhão-Manhattan.

Esse livro reúne ensaios escritos em diferentes momentos. O fio que os atravessa é a idéia de um pensamento na ficção, uma filosofia intrínseca ao ato de ficcionalizar, criando objetos que inventam para nós outras possibilidades de vida, outros territórios existenciais.

O ensaio de abertura, “Maranhão-Manhattan. Uma ponte entre nós”, foi apresentado como palestra na Universidade de Stanford em 2008, e concentra uma proposta para o futuro: a de pensar uma antropologia da ficção a partir de conceitos ameríndios. O texto compara Sousândrade, o poeta maranhense, ao granadino Federico Garcia Lorca, ambos com uma importante vivência em Manhattan da qual resultou o canto X, o Inferno de Wall Street, e o livro a Poeta en Nueva York. O sacrifício do personagem Guesa é posto em paralelo ao assassinato de Lorca. A morte de poetas anuncia o segundo tópico do ensaio: o pensamento ameríndio tal como traduzido e abduzido pelo agenciamento de Eduardo Viveiros de Castro e seus operadores perpectivismo e multinaturalismo. A floresta Amazônica emerge assim como lugar de preservação de um sistema que pensa em conjunto poetas e paisagem, ao invés do paredão (Wall Street) do mercado financeiro que executa de vez o valor da poesia e seus poetas. Espera-se assim colaborar para preservar a mata também do eco-sistema literário com sua fauna e flora e horizontes.

O ensaio “Derivas a partir de Gumbrecht, Lyotard e Murilo Mendes” foi publicado em inglês com tradução de Paulo Henriques Britto no livro Producing Presences. Branching out from Gumbrecht´s Work, editado por João Cezar de Castro Rocha e Victor Mendes (Univ. de Massachusetts Dartmouth, 2007). Nele, os conceitos “produção de presença” e “figural” são postos em relação ao poema “Algo”, de Murilo Mendes, de modo a descrever a experiência estética como algo que escapa aos campos hermenêutico, apresentando-se como epifania ou ascese.

Os dois ensaios subseqüentes dedicam-se a analisar contos de João Guimarães Rosa realçando-o como grande pensador e defensor da ficção e sua força, comparável a Borges em âmbito latino-americano. Seu sertão, tão carregado de figuras, esvazia as definições, e põe do avesso conceitos, antecipando, por exemplo, o que diz Derrida em um de seus ensaios mais importantes: o ponto no teatro, centro da metafisica ocidental é posto abaixo por Artaud e, também, como mostramos, por Rosa, em “Pirlimpsiquice”: “aquilo foi de Oh”. Com a diferença de que, aquilo que Artaud (e Derrida) produzem com acento trágico, Rosa produzirá neste conto com amor/humor.

O ensaio "As tramas do desejo"  apresenta o conto “Desenredo” como um descendente ilegítimo de O Elogio de Helena, do (mal) dito pré-socrático Górgias: uma defesa da movência dos discursos e das donas. Filósofo do ficcional, a obra de Rosa produz-se como theatrum mundi e erotikos logos.

A segunda parte, Entre livros, inclui artigos a respeito de livros de Luiz Costa Lima, João Adolfo Hansen, Haroldo e Augusto de Campos.