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Maranhão-Manhattan.

Maranhão-Manhattan. Ensaios de Literatura Brasileira

Rio de Janeiro: 7Letras, 2009.

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Comentários

Eduardo Viveiros de Castro “Prezada Marília, muito obrigado pelo texto (“Maranhão-Manhattan”), original -- ia escrever instigante se a palavra não fosse um pouco ridícula -- e inteligente.  E, no que me concerne, muitíssimo generoso, pelo que re-agradeço. A começar pelo prazer de vê-la propor uma ponte entre meu trabalho e ode meu primeiro professor, LCL, a quem tanto devo e admiro. Passando pela leitura criativa de meus escritos e a idéia tão grandemente promissora de uma verdadeira antropologia da ficção, que seja igualmente uma contra-leitura indígena do conceito de "Brasil" e de tudo o que ali vai agarrado. Sousândrade me é caro. Achei muito forte a idéia do escritor que falha, o gênio da província que triunfa ao fracassar. Um modo da obra menor: a obra inacabada,  imperfeita, no limite do inteligível, defasada, excêntrica a mais de um título, polifônica — genial. A genialidade não-estatal”.

João Adolfo Hansen “Li seu texto (“Maranhão-Manhattan”). Acho vertiginoso. Você condensa grande quantidade de referências, evidenciando o à vontade com que transita entre elas. A relação que faz de Sousândrade e seu tempo, Sousândrade e a invenção modernista/moderna, Sousândrade e o capital, Sousândrade e o mundo pré-colombiano e indígena é eficaz, fazendo ressaltar a singularidade dele. Ao mesmo tempo, a relação com Lorca ( e Pound) repõe a questão do valor da poesia e do poeta no mundo da mercadoria. Logo depois, a perspectiva antropológica abre para um modelo de inteligibilidade que se aplica antes de tudo às sociedades ameríndias. Mas aqui, gosto muito do seu gesto irônico, que inverte: não vamos aplicar a retórica ou a poética aos índios, mas aplicar seu multinaturalismo à nossa cultura demonstrando a historicidade apenas parcial e mortal dela. É bonito e forte e muito, muito mesmo, bem articulado. Principalmente porque não se deixa capturar pelo esoterismo ou pelo exotismo. Fiquei contente em ler - pois você pensa as coisas no aparecer delas, nas suas determinações básicas, fundamentais”. 

Hans Ulrich Gumbrecht “Após finalmente ler seu belo ensaio sobre Murilo Mendes, só me cabe elogiar, admirar e concordar com o que diz nele. O modo como você elabora as convergências entre Lyotard e o meu próprio trabalho é bonito, convincente e, às vezes, surpreendente para mim – e é ainda mais eficiente (em relação ao modo comoelabora as convergências) quando também sublinha as diferenças. Uma de suas belas descobertas é a de que ambos insistimos na “intensidade”. Igualmente convincente (e ainda mais bonito) é o que você faz com esse realmente forte poema “Algo”. Enquanto eu lia o poema, como você o cita e aquilo que diz a respeito do que esse poema “produz”, senticomo se fosse, de fato,  literalmente “bom demais para ser verdade”. 

Reviews (extracts)

“The most remarkable voices speak not from places of victory, mastery, and centrality, but rather from locations of failure, hindrance, and marginalization. It is therefore fitting that the lion’s share of innovative scholarly work to emerge within the past several years focuses on the latter. Marília Librandi Rocha’s first book, Maranhão-Manhattan: ensaios de literatura brasileira deserves be counted among these, joining the ranks of such groundbreaking studies as Sianne Ngai’s Ugly Feelings (2005), Adam Lifshey’s Specters of Conquest: Indigenous Absence in Transatlantic Literatures (2010), and Judith Halberstam’s The Queer Art of Failure (2011).” (Valéria M Souza, in Brasil/Brazil)

“The five essays of Part I, “Ficção e filosofia,” which comprise more than three quarters of the book, provide a vibrant, captivating cross-section of Librandi Rocha’s literary multiverse. Throughout, her application of ideas from such varied sources as Derrida, Gorgias, Gumbrecht, and Lyotard to Brazilian texts is insightful and complex, yet well articulated enough to prevent the sophistication of her analyses from compromising their readability. (...)  

“She invites us to suspend not disbelief, but literality, and “pensar a ficção e a poesia como agentes no mundo [. . .]””

“Moreover, it is not unification that the constituents of Maranhão-Manhattan seek, but connection— focusing not on different worlds, but on the network of relationships, or bridges, between them. The result is a striking conceptualization of “o Brasil no exterior de si mesmo, não como um estrangeiro pode vê-lo, mas como um nativo pode estranhá-lo [. . .]” (21), an estranhamento whose perceptive contribution to Brazilian literary criticism is most welcome.” (Christopher T. Lewis, in Luso-Brazilian Review)

Reviews *complete text:  

here in the Luso-Brazilian Review by Christopher T Lewis

here by Valeria M Souza in Brasil/Brazil.

Outros Depoimentos

 Lucas Brancucci  (https://lucasbrancucci.wordpress.com/2016/12/26/1-2016-maranhao-manhattan/

(extract) "..E sendo a literatura, pra mim, talvez a principal matéria de pensamento e estudo, quis voltar a perguntas fundamentais sobre poética, sobre ‘o que é literatura’, e o que ela pode; de como ler um poema/narrativa, pois certamente a voz ameríndia, que propõe estruturas completamente diversas da ocidental (e ao mesmo tempo estando ao nosso pé), teria muito a dizer sobre nossa relação com as letras. Marília Librandi Rocha articula essa interconexão com fôlego e de forma certeira em Maranhão-Manhattan.

A autora toma um posicionamento político inusitado diante de um poema/narrativa ao assumir uma perspectiva de antropóloga. Beirando algo de Dom Quixote no seu ato de leitura. (Cuja atitude de levar ao extremo as ficções para o seu corpo, se vestindo e agindo como cavaleiro, nos causa o riso, mas também certa repulsa em alguns momentos). Não me refiro ao ato de se fantasiar, mas de ler: de nos abrirmos para o que o texto diz, e não para nossa interpretação de que uma textualidade por ventura nos possibilita; não de irmos ao texto com olhos analíticos, mas estarmos numa posição pouco mais passiva em relação ao discurso. Só aí que ela (a literatura, o poema segundo Meschonnic) deixaria de ser enfeite da vida, de ser cartão de natal, e passaria a atuar na relação que estabelecemos com o entorno? Não apenas ver o poema como mensagem; mas, para lembrar Deleuze/Guattari: como inscrição no corpo, “instrumento de ação que age sobre o próprio corpo.”

Quando nos situamos em uma cultura estética que cultua, na literatura, a sua independência como valor de liberdade, de não estar em função de, o perspectivismo, captado na estrutura dos “selvagens”, surge como possibilidade de pensar justamente a estética e sua relação com a nossa sociedade e tempo.

Que novos vínculos entre lírica-e-sociedade poderíamos estabelecer, considerando uma (pós)era cujo modus operandi se petrificou numa “democracia”, com sintomas cíclicos, sem grandes oposições e caminhos de mudança claros? É um tipo de reflexão inevitável ao poema, pois às vezes entra-se numas de formalismo exacerbado que faz a arte passar por uma série de “provas” para dizer, por exemplo, se é boa literatura ou não (a começar pela editora e pelo projeto gráfico do livro). Mas Librandi nos dá caminhos para refletir esses vínculos, à luz da filosofia ameríndia, que sempre esteve aqui:

Aplicando essa filosofia [“as representações são propriedades do espírito, mas o ponto de vista está no corpo” (Viveiros, 2012:128)”] ao campo de estudos literários, posso dizer que para o personagem de ficção o seu mundo existe e é real; nós, aqui fora, é que não existimos, e vice-versa. (…) Essa proposta tem uma urgência também política. Minha tese é a de que estamos continuamente “matando” nossos poetas (…) porque achamos que o que eles escrevem é “apenas literatura”.

Posso também descrever o poeta como alguém que é capaz de mover-se intra e inter-espécies e traduzir outros mundos (extra e não humano) em palavras. (…)

Isso significa considerar o que a ficção nos diz no mesmo nível do que a ciência da natureza nos diz, no mesmo nível do que a filosofia nos diz.

Não é, em certa medida, um quase posicionamento quixoteano? A citação que abre o Metafísicas Canibais, de Viveiros: É em intensidade que é preciso interpretar tudo. (O Anti-Édipo). E não estaria nesse corpo empenhado em excesso e deslocado (no nosso caso, o do marginalizado e colonizado, o do selvagem) algumas das respostas? Não tem sido assim com o avanço do feminismo nos últimos anos (sendo a mulher antes construídas no estereótipo da louca), obrigando que até mesmo a publicidade se adaptasse?

Marília Librandi na sua conclusão em aberto: “Realço, assim, a importância de pensar a ficção e a poesia como agentes no mundo, que o afetam (…) de modo a reinventar a relação entre palavras e coisas” – do primeiro capítulo de Maranhão-Manhattan: ensaios de literatura brasileira.

 

 

We Do Not Take Literature Seriously”: Marília Librandi Rocha on Hallucinatory Reading

http://montevidayo.com/2013/09/we-do-not-take-literature-seriously-marilia-librandi-rocha-on-hallucinatory-reading-2/

by Lucas de Lima on Sep.27, 2013

From poetry-mourners/killers to Argentine novelists, it seems like everyone is panicking over the ontology of literature these days.  I think one of the freshest takes on how and why we read comes from Marília Librandi Rocha’s essay “Maranhão-Manhattan“:

Abstract

This study examines the defense of fiction in prose, poetry, and literary criticism. The first part, “Philosophy and Literature,” begins with an examination of the intersections between Joaquim de Sousândrade’s epic poem, O Guesa, and Federico García Lorca’s Poeta en Nueva York. This chapter is among the first studies to propose a new approach to fiction through the incorporation of Amerindian perspectivism and multinaturalism as articulated by Eduardo Viveiros de Castro. It then moves on to analyze Murilo Mendes’s epiphanic poems through the concepts of the ‘figural’ (Lyotard) and the ‘production of presence’ (Gumbrecht). The third chapter focuses on Paulo Leminskis’s novel Catatau in contrast to the Cartesian notions of language and reason. Chapter four examines João Guimarães Rosa’s short stories in light of Jacques Derrida’s analysis of Artaud; and the first part concludes with a chapter on Rosa’s appropriation of Gorgias’s “Encomion of Helen.” The book's second part examines the critical theories of Luiz Costa Lima, João Adolfo Hansen, Haroldo de Campos, and Augusto de Campos, focusing on how these critics defend textual invention and experimentation.